Editais do processo seletivo foram publicados no Diário Oficial no último sábado (28/9). Número de vagas abertas é inferior ao de 209 profissionais que a própria Superintendência do HU já apontou como necessário para a retomada do atendimento nos níveis anteriores ao início do desmonte do hospital. A contratação terá tempo determinado de apenas um ano, e os mesmos profissionais só poderão ter novo vínculo com o hospital 200 dias após o encerramento do primeiro contrato

O Hospital Universitário (HU) abriu nesta terça-feira (1/10) as inscrições para o processo seletivo que permitirá a contratação emergencial de 155 profissionais de saúde. As inscrições podem ser feitas até o próximo dia 10/10. Os editais do processo seletivo foram publicados no Diário Oficial do Estado no último sábado (28/9).

Os contratos serão por tempo determinado, com duração máxima de um ano. Esgotado o prazo do contrato, estabelece a Reitoria da USP, “eventual nova contratação do mesmo médico ou dos mesmos profissionais de saúde, com fundamento nesta Resolução, ainda que para atividades diferentes, somente poderá ser feita após decorridos 200 (duzentos) dias do término do contrato anterior”.

As contratações estão condicionadas à disponibilização de verba extraorçamentária por parte da Secretaria da Saúde ou da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). No ano passado, os deputados aprovaram uma emenda que destinou R$ 40 milhões ao HU. Metade da verba será destinada às contratações e o restante está sendo utilizado em custeio.

Na avaliação de Lester do Amaral Junior, da coordenação do Coletivo Butantã na Luta, que tem estado à frente da mobilização pela reestruturação do hospital, os editais mantêm questões em aberto e problemas sem solução. Um deles é que a própria Superintendência do HU já apontou, em documento enviado ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que o número de contratações necessárias para a retomada do atendimento em níveis equivalentes aos dos anos anteriores a 2014 (quando teve início o desmonte do hospital) seria de 209. As vagas anunciadas nos editais, portanto, ainda deixam um déficit de 54 profissionais. Além disso, não está prevista a contratação de médicos clínicos. “Como fazer funcionar uma UTI [Unidade de Terapia Intensiva] sem clínicos?”, pergunta Amaral.

Esses e outros temas estarão na pauta da reunião do Conselho Deliberativo do HU convocada pelo promotor Arthur Pinto Filho para esta quarta (2/10) na sede do MP, com a presença do Coletivo Butantã na Luta. A convocação desse encontro foi uma das resoluções tomadas pelo promotor na reunião do dia 30/8, da qual participaram também estudantes dos cursos de saúde da USP e o superintendente do HU, Paulo Margarido.

Categorias foram incluídas após intervenções dos alunos em reunião no MP

Os editais abrem vagas para médicos ortopedistas, obstetras, ginecologistas, cirurgiões, pediatras, anestesistas, intensivistas, neonatologistas, radiologistas e otorrinolaringologistas, além de enfermeiros, técnicos de enfermagem, técnicos de laboratório, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos e fonoaudiólogos.

Essas três últimas categorias não constavam do texto originalmente emitido pela USP para o processo seletivo, a Resolução 7.792/2019, de 27/8. A sua inclusão se deu por meio da Resolução 7.819/2019, de 19/9 — posterior, portanto, à reunião do dia 30/8 no MP, quando a falta de profissionais dessas e de outras especialidades foi objeto de fortes reclamações dos representantes dos centros acadêmicos (CAs) dos cursos de saúde da USP.

O promotor Arthur Pinto Filho considerou “muitíssimo graves” os depoimentos dos alunos a respeito das dificuldades enfrentadas nos seus estágios práticos no hospital e por isso decidiu convocar uma reunião dos representantes dos CAs com o reitor Vahan Agopyan no próprio MP, para ouvir o relato dos estudantes. O reitor já foi notificado, mas a data da reunião ainda não foi confirmada.