Um novo ato público em defesa da reestruturação do Hospital Universitário (HU) será realizado pelo Coletivo Butantã na Luta nesta quarta-feira (28/8) a partir das 17 horas. Os manifestantes estão convocados para concentração às 17 horas na Centro de Saúde Escola do Butantã (CSEB), partindo em caminhada pela avenida Vital Brasil e pela Cidade Universitária.

No material de divulgação, os organizadores lembram tratar-se de “um novo momento da luta pelo HU”. A explicação é simples e também consta do folder: “R$ 40 milhões estão na mão do reitor para compor [a] equipe do HU”, referência direta ao valor da emenda ao Orçamento estadual de 2019, aprovada pela Assembleia Legislativa (Alesp) com a finalidade expressa de contratação de pessoal. O hospital perdeu centenas de funcionários nos últimos anos, entre os quais dezenas de médicos.

São cinco anos de luta intensa pela sobrevivência do HU, desde que a gestão reitoral M.A. Zago-Vahan Agopyan decidiu, em agosto de 2014, declarar “guerra” a esse que é o principal hospital público do Butantã, responsável pelo atendimento de centenas de milhares de pessoas e, além disso, importante elo na formação, pela USP, dos futuros profissionais de sete carreiras da área da saúde. Essa história está contada nesta publicação.

A sorte do HU não mudou com a posse de Vahan como reitor. Uma outra emenda aprovada pela Alesp em 2018, no valor de R$ 48 milhões, teve seus recursos aplicados pela Reitoria em outras finalidades, o que deve tornar Vahan réu em uma ação por improbidade administrativa a cargo da Defensoria Pública.

“A Saúde Pública está sendo atacada, o SUS [Sistema Único de Saúde] destruído, o HU desmontado! Não podemos ficar parados, assistindo, e não fazer nada”, conclama o folder do Coletivo Butantã na Luta. Mário Balanco, um dos organizadores do protesto de 28/8, destaca este aspecto e informa que outros movimentos estão sendo chamados a participar, dando como exemplo a unidade de saúde de onde partirá a caminhada, que sempre foi uma referência de atendimento público de excelência, mas vive uma crise muito forte: “O CSEB tinha 139 funcionários, hoje tem apenas 56 e ainda está sendo ameaçado de despejo”. Isso porque a área onde está instalado há 42 anos pertence ao Instituto Butantan, que a quer de volta.

Balanco está otimista com a mobilização para o “Grito Popular” pelo HU. Estudantes da Fofito, da Farmácia e da Saúde Pública confirmaram comparecimento, e a panfletagem realizada nos últimos dias vem sendo bem recebida pela população. Além disso, o promotor de justiça Arthur Pinto Filho, do Ministério Público (MP-SP), marcou nova reunião para tratar da crise do hospital no dia 30/8 às 14 horas. “Ele chamou a Superintendência do HU, junto com o Conselho Deliberativo, e vamos levar todas as entidades que participam do movimento”, informou o representante do Coletivo Butantã na Luta.