Em 21 de dezembro de 2017, a Secretaria de Mobilidade e Transportes da Prefeitura de São Paulo publicou a minuta do edital que vai determinar como serão os serviços e a distribuição das linhas de ônibus da capital pelos próximos 15 anos (ou 20 anos, a depender da decisão da Câmara Municipal sobre o projeto de lei referente à redução do tempo de vigência das concessões).

Tal edital deve provocar cortes de linhas e alteração de itinerários, fazendo com que importantes linhas deixem de servir à Cidade Universitária, o que restringirá ainda mais o acesso da comunidade universitária e da população, em geral, ao campus da USP.

A redução das opções de linhas que conectam o campus ao centro da cidade prejudicará não apenas os moradores do centro, mas especialmente os moradores das periferias integrados à Cidade Universitária por intermédio da região central. Aumentará, ainda, a demanda pelos circulares — linhas 8012 e 8022 — que já circulam lotados, principalmente à noite, nos horários de saída das aulas.

O ano de 2018 iniciou-se com o anúncio, pela Prefeitura de São Paulo, do aumento das tarifas de R$ 3,80 para R$ 4,00. Em uma conjuntura de crise econômica, marcada pelo desemprego e ausência de reajustes salariais, o aumento das tarifas de transporte é mais um golpe contra a população, principalmente os/as trabalhadores/trabalhadoras e estudantes.

Tendo em vista o corte de linhas e a baixa qualidade dos serviços prestados, o aumento injusto evidencia o quanto o atual sistema de transportes serve aos lucros dos empresários e não às necessidades dos usuários, e o quanto ele restringe o acesso à cidade, negando direitos básicos a significativa parcela da população. Tal lógica sacrifica mais duramente os trabalhadores com menor remuneração e menos direitos, como é o caso dos/das terceirizados/terceirizadas em nossa Universidade. Eles e elas já não têm mais gratuidade nos circulares, pois desde 2012 os ônibus sem catracas foram substituídos por ônibus convencionais com a implantação do bilhete USP. Agora, com os cortes anunciados nas linhas, muitos passarão a ter que pegar mais de uma condução.

Transportes acessíveis e de qualidade são fundamentais enquanto elementos de permanência estudantil, condições de trabalho e segurança no campus. Mudanças como as realizadas no edital de licitação para empresas de transporte, recentemente publicado pelo prefeito Dória, deveriam ser, no mínimo, discutidas com a comunidade, diálogo que não existiu.

Por tudo isso, a Adusp manifesta seu repúdio aos planos da Prefeitura de cortes e alterações nos itinerários das linhas de ônibus que dão acesso à USP, adotados sem nenhuma consulta à comunidade, e exorta docentes, funcionários (inclusive os terceirizados) e estudantes a se organizarem e mobilizarem em defesa do direito ao transporte.

Diretoria da Adusp
15 de janeiro de 2018