O professor José Donato Junior, vice-chefe do Departamento de Fisiologia e Biofísica do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP), enviou mensagem à direção da Adusp, em 15/8/2019, na qual solicita que sejam publicados os seus esclarecimentos a propósito de reportagem publicada em 20/7/2018, na versão digital do Informativo Adusp, e depois citada em publicação mais recente, veiculada em 2/8/2019 e intitulada “Diretor do ICB pede ‘retratação’ do Informativo Adusp no tocante a reportagem sobre relógio eletrônico de ponto e ocorrências de assédio moral”.

Citado nominalmente em ambas as ocasiões, Donato Junior contesta que tenha sido respeitado seu direito de resposta, uma vez que se encontrava de férias quando foi procurado em 17/7/2018 e o repórter não aguardou seu retorno. Sobre as perguntas que lhe foram enviadas na época pelo Informativo Adusp relativas ao desconto de 2 horas e 49 minutos de serviço que aplicou à funcionária Vera Monezzi em 13/11/2017 — ele considera que foram enviesadas e portanto “claramente inadequadas”.

Ele também defende a conduta que adotou nesse episódio e nega que o dispositivo de vídeo instalado na portaria do ICB tenha sido usado para controlar funcionários, como informado naquela reportagem. “Nenhuma câmera foi usada para monitorar essa funcionária ou qualquer outro funcionário em nosso Departamento”, afirma o vice-chefe.

No dia 16/8, a Adusp recebeu outra manifestação, desta vez do professor Gustavo P. Amarante-Mendes, vice-diretor do ICB, que disse subscrever a mensagem de seu colega de unidade e lamentar que a Adusp “utilize-se de seu veículo informativo para publicar reportagens claramente enviesadas, sem o devido cuidado com a sua veracidade”. Acrescentou: “Neste sentido, me parece trágico que representantes da categoria docente, a qual deveria agir dentro de um ideal sublime, verdadeiramente universitário, fomentando uma cultura de respeito, ética e confiança, parece se preocupar muito mais com atividades políticas conflitantes e destrutivas, do que com a construção de um ambiente universitário harmônico, respeitoso e democrático”. 

Íntegra da mensagem de José Donato Júnior

O texto afirma que no dia 17/7/2018, às 14h43, foi enviada mensagem eletrônica ao meu e-mail institucional a fim que eu me pronunciasse sobre a “reportagem”. Assim, alegam que houve amplo direito de resposta e que, por opção, ela foi recusada. Na ocasião me encontrava em férias e fora de São Paulo (Monte Verde, MG) e a assessoria de impressa do ICB informou ao “jornalista” sobre esse fato. Os demais citados pela reportagem também encontravam-se em férias. O “jornalista”, ao invés de optar pela prudência (visto que era Julho) e aguardar a manifestação Institucional dos citados assim que retornassem às suas atividades profissionais, preferiu publicar a reportagem no dia 20/07/2018, o que sugere pouco interesse em ouvir a versão dos citados na reportagem. Diante disso, questiono se a Adusp acha ético cobrar explicações de um docente sobre suas atividades profissionais durante seu período de férias e esperar que essas sejam respondidas em apenas 48 horas? Se eu cobrasse um funcionário do meu Departamento a responder questionamentos do dia para noite em seu período de férias eu poderia ser acusado pela Adusp de assédio?

Ainda, conforme pode ser consultado no site da Adusp as questões enviadas pelo “jornalista” são claramente inadequadas, pois questionam se persegui a funcionária ou se monitorei de forma arbitrária a entrada ou saída da mesma. Portanto, não seria respondendo às questões enviesadas que eu poderia esclarecer o ponto em que fui mencionado pela funcionária Vera Monezzi.

Para esclarecer essa questão, encaminho cópia do comprovante apresentado pela funcionária Vera Monezzi para solicitar que eu ABONASSE o seu dia de trabalho em 13/11/2017. Nesse documento, como pode ser visto na imagem, está literalmente escrito que a funcionária esteve na Vara do Trabalho das 8:30 às 9:00, o que indica que deveria ser dispensada de suas atividades de serviço neste período. Cabe ressaltar que o horário de entrada da funcionária é às 9:00 horas. Ciente da necessidade da funcionária realizar seu deslocamento e após consulta ao setor jurídico de nosso Instituto, decidimos por abonar 2 horas de seu expediente. Contudo, isso não foi suficiente para que a funcionária completasse sua jornada de 8 horas, uma vez que ela iniciou suas atividades no Instituto às 13:49 e apresentou saída às 15:20. Assim, a funcionária trabalhou apenas 1 hora e 33 minutos no dia. Diante disso, haveria desconto de suas horas de serviço que poderiam ser tranquilamente compensadas pelo banco de horas ou pela opção de retirar uma falta abonada, uma vez que a funcionária utilizou a maior parte do dia para resolver questões pessoais. Nenhuma câmera foi usada para monitorar essa funcionária ou qualquer outro funcionário em nosso Departamento. Após o ocorrido, fui procurado pela funcionária que revoltada me ofendeu em meu escritório. Na sequencia, eu e a chefe de Departamento recebemos um e-mail com ameaças de uma suposta advogada da funcionária Vera Monezzi afirmando que havíamos descumprido ordens judiciais. Após consulta com advogados, respondemos apenas que estávamos convictos de nossas ações na chefia e não tínhamos mais nada a declarar.

Finalmente, a funcionária Vera Monezzi utiliza os veículos de imprensa da Adusp para manter a ameaça de assédio contra sua chefia. Mais recentemente um grupo de funcionários de nosso Departamento apresentou abaixo assinado contra declarações da mesma funcionária que acusava sua chefia de assédio. Portanto, a meu ver fica claro que ao invés de ter interesse em discutir um assunto importante que é a implementação do ponto eletrônico, a funcionária se utiliza de “supostas reportagens” para acusar injustamente docentes que apenas cumprem uma função institucional, seguindo estritamente as normas do RH, uma vez que o comprovante apresentado não poderia ser utilizado para abonar o dia de trabalho, conforme solicitado pela funcionária. Finalmente, deixo claro que as minhas declarações aqui apresentadas são pessoais e não visam necessariamente representar a opinião de outros citados na reportagem.

Dessa forma, gostaria de solicitar que essa nota de esclarecimento seja publicada no Informativo Adusp e amplamente divulgada para que a outra parte atingida pela reportagem tenha a possibilidade de prestar seus esclarecimentos, quanto à matéria veiculada.

Atenciosamente,

José Donato Junior

 

Nota da Redação

Informativo Adusp mantém, no essencial, as afirmações feitas na reportagem “Relógio Eletrônico de Ponto agrava assédio moral aos funcionários e desvirtua natureza do trabalho na USP”. Quanto às perguntas encaminhadas ao professor Donato Junior, que ele reputa enviesadas, foram sucedidas pela seguinte frase, cujo sentido é autoexplicativo: “Fique à vontade para acrescentar qualquer comentário que julgar pertinente”. Por fim, estranhamos a menção ao “setor jurídico” do ICB, que não consta do site do instituto, não havendo notícia de existência de tal setor em nenhuma das unidades da USP.