Na edição 415, o Informativo Adusp publicou reportagem sobre os três principais esquemas privatizantes existentes na Escola de Comunicações e Artes (ECA), bem como sobre o conflito de interesses que permeia a oferta de cursos pagos. Docentes de pelo menos três departamentos montaram cursos pagos: CRP (“Gestcorp”, ao preço de R$ 19 mil), CJE (três cursos, R$ 7.200 cada) e CCA (Educomunicação, R$ 11.700).

Os cursos de pós-graduação lato sensu do CJE são oferecidos pelo Centro Latinoamericano de Cultura Contemporânea (Celacc). Em 28/3, enviamos ao professor Dennis Oliveira, coordenador do Celacc e chefe do CJE, três perguntas, não respondidas até o fechamento desta edição, em 15/4.

Carta

Embora o professor Dennis não tenha se manifestado, recebemos carta do profes­sor Luciano Maluly, que leciona no CJE e é pesquisador do Celacc. Na carta, ele declara que o chefe do departamento “é um dos servidores mais dedicados que conheci aqui no CJE”. Ainda que Maluly não tenha sido citado, consideramos relevante divulgar sua opinião:

“Além da chefia, o professor leciona uma disciplina obrigatória e outra optativa no curso de graduação, além de ser orientador, pesquisador e oferecer disciplinas nos programas de Pós-Graduação em Mudança Social e Participação Política da EACH-USP e também na Pós-Graduação em Direitos Humanos da USP. Mantém sozinho a produção e a distribuição do jornal Notícias do Jardim São Remo, destinado a essa comunidade que fica ao lado da USP.

Também é editor das revistas Extraprensa e Alterjor, além de vice-líder do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Popular e Alternativo e do Neinb (Núcleo de Estudos Interdisciplinares do Negro Brasileiro). Além das orientações na graduação e supervisões de pós-doutorado, orienta nove projetos de pós-graduação, sendo 4 mestrados e 5 doutorados. O professor dedica muito mais de 40 horas à USP e, por isso, suas funções no Celacc em nada comprometem o seu desempenho em RDIDP.”

Princípio

Historicamente, a Adusp opõe-se à oferta de cursos pagos na USP, não apenas por entender que eles ferem a Constituição Federal — que no seu artigo 206, inciso IV, veta a cobrança em estabelecimentos oficiais de ensino — mas sobretudo em defesa de um princípio: a USP é uma universidade pública e gratuita e, portanto, não deveria manter tais cursos, que constituem uma forma de privatização (vide também).

Assim, o Informativo Adusp não tem a intenção de emitir juízo de valor acerca de colegas que ministram tais cursos. Ao contrário, tenta mostrar que a Universidade não tem contado com financiamento público adequado ao cumprimento de seu papel social, o que tem aberto espaço para sua privatização.

Informativo nº 416