Ciro Teixeira Correia, João da Costa Chaves Jr. e Paulo César Centoducatte

Espera-se da educação, organizada no país nos níveis básico e superior, que cumpra adequadamente seu papel na sociedade, qual seja o de prover e estimular o desenvolvimento nacional por meio da formação de cidadãos, como pessoas e como profissionais. E há relação intrínseca entre o sucesso da educação superior e a qualidade da educação básica.

A longa greve dos professores da rede estadual de ensino, em curso há 80 dias, é sinal de que tal expectativa está longe de se materializar no estado mais rico do país. Diante dela, o governo Alckmin age como se nada ocorresse e mostra pouco cuidado com a efetiva construção de um sistema público de ensino, que ofereça educação de qualidade em São Paulo, nos dois níveis.

Ao contrário, as políticas implantadas pelo governo paulista, em especial nos últimos vinte anos, levaram a um quadro preocupante, sobretudo na educação básica: salas de aula apinhadas de estudantes, profissionais desmotivados frente às condições de trabalho e de salário, crescentemente precarizadas, obrigados a se desdobrar em vários empregos. Tudo isso compromete a qualidade do ensino. 

Neste cenário, como educar crianças e jovens, preparando-os para uma vida digna, capacitados a contribuir para prover as necessidades de desenvolvimento do estado e do país?

As demandas do professorado paulista são justas. Não apenas pela importância do papel que esta categoria desempenha na sociedade, responsável pela educação escolar de milhões de estudantes, mas como forma de tornar a educação básica apta a desempenhar o papel que dela se espera no estado. É imperativo que o governo Alckmin dialogue e negocie com os professores.

A história ensina que o arrocho de salários e a deterioração das condições de trabalho contribuem para a corrosão e a destruição da capacidade instalada do sistema educacional, tanto humana quanto material, constituindo-se então num enorme desperdício de recursos públicos. 

É necessário que o governo paulista amplie o investimento em educação pública, inclusive como mecanismo de combate à crise econômica a que o país foi submetido. Afinal, alguém já ouviu falar de uma nação que tenha tido problemas por investir em educação, por ter cidadãos bem escolarizados, por ter profissionais capacitados? Mas sobre o contrário, por certo, muito já se ouviu... 

Assim, a ampliação do investimento na educação pública na LDO, dos atuais 30% para 33% do total da arrecadação de impostos, como defendem os sindicatos de professores e funcionários das universidades estaduais e do Centro Paula Souza, é uma proposta mais que necessária e viável: é estratégica!

 

Ciro Teixeira Correia, João da Costa Chaves Jr. e Paulo César Centoducatte são presidentes
das Associações de Docentes da USP, Unesp e Unicamp, respectivamente.