foto: Bahiji Haji

Reitores decidem jogar nas costas das categorias os efeitos da crise de financiamento. Em dois anos, salários já encolheram 10%

Na segunda rodada de “negociação” da data-base 2017, em 17/5, o professor Sandro Roberto Valentini, reitor da Unesp e atual presidente do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), informou a decisão de ofere­cer zero de reajuste salarial às categorias de docentes e funcionários técnico-administrativos, tendo em vista “as dificuldades orçamentárias e financeiras” das universidades. A decisão agrava a situação da Unesp, que não pagou sequer os 3% concedidos na data-base de 2016.

“Os representantes do Fórum das Seis criticaram a postura dos reitores, que vem se repetindo há anos: uma clara opção política por manter as universidades estaduais paulistas à custa de arrocho salarial, da deterioração das condições de trabalho e da estagnação da permanência estudantil”, assinala o Boletim do Fórum das Seis de 18/5. A crise de financiamento vem sendo denunciada pelos sindicatos há décadas, “mas os reitores nunca se propuseram a ques­tio­nar a política do governo esta­dual, que confisca recursos das universidades sistematicamente” (leia reportagem).

“O zero nesta data-base faz com que os salários na Unicamp e na USP percam, aproximadamente, 10% de seu poder de compra em dois anos”, informa o Boletim do Fórum das Seis. “Na Unesp, essa perda fica em torno de 13%. Uma corrosão muito grande em tão pouco tempo. Se considerarmos as perdas acumuladas desde 1989, os salários regrediram cerca de 40%”.

No decorrer da reunião entre o Cruesp e o Fórum das Seis, o professor César Minto, presidente da Adusp, questionou o fato de o reitor da USP, M.A. Zago, furtar-se de exigir do governo estadual o devido financiamento das universidades estaduais, e,  ao contrá­rio, fazer repetidas declarações públicas de que não há falta de recursos. O vice-reitor da USP, V. Agopyan, alegou tratar-se de um “ruído de comuni­cação”, ignorando entrevistas concedidas pelo reitor a Veja, Valor Econômico e outras publicações.

O presidente da Adusp criticou, ainda, o fato de a Reitoria efetivar um Plano de Incentivo à Demissão Voluntária em duas etapas (PIDV 1 e 2) — sem qualquer estudo de impacto — e estar autorizada a instituir na USP a relação de 40% de docentes para 60% de funcionários, o que poderá resultar na perda de mais 5 mil técni­co-adminis­trativos. É inimaginável a abran­gência de tal desmonte. 

O Fórum das Seis também indagou ao Cruesp, oficialmente, qual a posição do colegiado acerca dos “Parâmetros de Sustentabilidade Econômico-Financeira da USP”, aprovados pelo Conselho Universitário em 11/4. O presidente do Cruesp afirmou que o órgão ainda não teve acesso ao documento. O professor Minto manifestou sua estranheza, dado que a aprovação desse “pacote fiscal” ocorreu há mais de um mês e o pedido de envio tinha sido feito há seis dias, na reunião anterior. O vice-reitor da USP alegou uma complicação burocrática qualquer. Ouça a gravação.

Informativo nº 436