Como registrou o Boletim do Fórum das Seis, a primeira negociação da data-base 2019, realizada na manhã de 9/5/2019 entre as entidades e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), foi frustrante em relação à reivindicação salarial. O índice de 1,8% proposto pelo reitor da Unicamp e atual presidente do Cruesp, Marcelo Knobel, sequer cobre a metade da inflação dos últimos 12 meses. O ICV, índice medido pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), aponta uma inflação de 4,4721% no período maio/2018 a abril/2019.

Knobel apresentou o índice de 1,8% como uma generosa concessão dos reitores frente à defasagem salarial das categorias, e apesar de não atender à recomendação de “reajuste zero” defendida pelas equipes técnicas das reitorias: “Considerando a situação das três universidades, por mais que haja otimismo em relação aos números da economia nos próximos meses, todas as equipes técnicas são unânimes em recomendar zero de reajuste. No entanto, os reitores tomaram a decisão política de apresentar essa proposta, pois sabemos que os salários estão em defasagem de 2015 para cá”, justificou Knobel.

Por outro lado, o presidente do Cruesp fez questão de afirmar que, se considerarmos um passado mais distante, os salários levam vantagem sobre a inflação. Como ele não apresentou dados que corroborassem a afirmação, o Fórum das Seis os solicitou, e ele ficou de fazê-lo na próxima reunião de negociação, prevista para 16/5.

“Os representantes dos sindicatos demonstraram insatisfação com a proposta, que desconhece as perdas expressivas que nosso poder aquisitivo vem sofrendo ao longo do tempo, e reforçaram a reivindicação de reajuste imediato de 8% (na USP e na Unicamp) e de 11,24% (na Unesp)”, registrou o Boletim, “além de um plano de recomposição salarial para o próximo período, que reponha as perdas de maio de 2015 até agora (de 15,93% na USP e na Unicamp e 19,93% na Unesp)”.

Além disso, prossegue a publicação, os negociadores do Fórum das Seis “apontaram a queda brusca da relação entre a folha de pagamento dos salários e as liberações financeiras, que em abril/2019 bateu em 88,22% na média das três universidades. Todo ano, os reitores rebaixam a previsão do ICMS para justificar propostas de reajuste menores, mas a arrecadação final sempre supera o previsto”.

A Assembleia Geral da Adusp, realizada no mesmo dia, decidiu indicar ao Fórum que elabore e apresente uma contraproposta ao Cruesp.

Aplicação está sujeita ao aval dos Conselhos Universitários, diz Cruesp

O Cruesp acaba de emitir o Comunicado 2/2019, de 9/5, assinado pelo reitor Marcelo Knobel, que define duas condições para a aplicação do reajuste que está sendo proposto, de 1,8%. No caso da Unesp, como “a prioridade é garantir o pagamento do 13o salário de 2019, a universidade avaliará o melhor momento para aplicar o índice aprovado pelo Cruesp, dependendo da evolução do ICMS”. Além disso, “a aplicação do disposto neste comunicado está sujeita à homologação no âmbito dos respectivos Conselhos Universitários, onde pertinente”. A seguir a íntegra do Comunicado:

Considerando a conjuntura econômica significativamente instável e a situação pela qual passam as universidades, o Cruesp, em um esforço para recompor parcialmente as perdas salariais, em reunião realizada nesta data com o Fórum das Seis, propôs reajuste dos salários de docentes e servidores técnico-administrativos das Universidades Estaduais Paulistas em 1,8%, a partir de maio corrente.

Especificamente no caso da Unesp, como a prioridade é garantir o pagamento do 13o salário de 2019, a Universidade avaliará o melhor momento para aplicar o índice aprovado pelo Cruesp, dependendo da evolução do ICMS.

A aplicação do disposto neste comunicado está sujeita à homologação no âmbito dos respectivos Conselhos Universitários, onde pertinente.

O Cruesp seguirá envidando todos os esforços institucionais possíveis para a recuperação salarial, tão logo a conjuntura econômica permita”.