foto: Daniel Garcia

A chuva fraca não diminuiu a energia dos manifestantes presentes no protesto de 7/6, organizado pelo Fórum das Seis, em frente à sede do Conselho dos Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), onde ocorreu a segunda rodada de negociação salarial dos servidores da USP, Unesp e Unicamp.

fotos: Daniel Garcia

Estiveram presentes todas as categorias representadas pelo Fórum das Seis, que reúne as associações de docentes, sindicatos de servidores técnico-administrativos e diretórios estudantis das três universidades estaduais paulistas, além do sindicato que reúne trabalhadores e docentes do Centro Paula Souza. Os manifestantes de diversos campi da capital e do interior chegaram em ônibus fretados para manifestar seu repúdio à proposta de aumento salarial de apenas 1,5%. O protesto contou com centenas de pessoas e foi animado por baterias e intervenções cênicas de estudantes, que representavam os reitores sendo literalmente amarrados por personagens nomeados como “iniciativa privada”.

Os servidores técnico-administrativos das três universidades já estão em greve, assim como os professores da USP e Unesp. As categorias reivindicam um aumento de 12,66% na USP e Unicamp e de 16,04% na Unesp para recompor as perdas salariais ocorridas desde maio de 2015. Estudantes de algumas unidades da USP e Unesp também já estão paralisando suas atividades, adicionando ao movimento a reivindicação por mais verbas para a permanência estudantil.

“Os reitores nos ofereceram um insulto na reunião anterior, de reajuste de 1,5%, diante de uma inflação de mais de 12% para USP e Unicamp e mais de 16% para Unesp. Eles estão financiando a universidade com nossos salários”, explicou o professor João Chaves, coordenador do Fórum das Seis e presidente da Adunesp. Chaves também ressaltou que o salário é só parte do problema enfrentado pelo corpo de trabalho das universidades estaduais paulistas.“Eles não estão contratando docentes e servidores técnico-administrativos. Todos os servidores estão em uma situação limite, aumentando muito o seu trabalho. É trabalhar mais para ganhar menos, e isso certamente tem implicação na produção das universidades e do Centro Paula Souza”, disse o professor.

“Reitores não estão nem aí para os estudantes”

“Ano passado, a gente aprovou cotas raciais na USP, e este foi o ano em que a gente recebeu estes estudantes negros e negras. Mas não basta entrar, é preciso permanecer na universidade. E é por isso que estamos aqui, para falar a esses três reitores que não estão nem aí para os estudantes e trabalhadores”, afirmou a estudante Marcela Carbone, do DCE da USP.

O argumento utilizado pelo Cruesp, de falta de verba para o reajuste, foi rechaçado por diversos oradores durante o ato. “Reitores da USP vêm fechando o Hospital Universitário, mas constroem um muro de vidro!”, protestou Neli Wada, diretora do Sintusp, que complementou: “Só na USP estão faltando 500 professores. Por quê? Porque eles não querem mais investir em educação, eles querem investir nas pesquisas das empresas. Querem colocar as universidades no trilho da privatização, mas sem largar dos impostos que a população paga”.

Na mesma linha, Bruno Rocha Gilga, representante dos funcionários no Conselho Universitário (Co) da USP, compartilhou sua experiência na última reunião desse colegiado. “O reitor Vahan veio fazer demagogia, falando que já estava fazendo um sacrifício ao dar 1,5%, porque não há nenhum dinheiro. Teve uma parte dos burocratas que inclusive disse que votaria pelo reajuste zero, porque se dessem o aumento para os trabalhadores não restaria nada para permanência estudantil”, descreveu Gilga. “Eles querem nos dividir, para brigarmos pelas migalhas que eles jogam. Mas não vão em cima do governador Márcio França e, antes, do Geraldo Alckmin, dizer que está faltando verba para a universidade, nem dizer que faz dez anos que não repassam para as universidades o que manda a lei”.

O professor Wagner Romão, presidente da Adunicamp, também se contrapôs ao discurso reitoral de falta de verbas. “A LDO que está em discussão na Assembleia Legislativa já está desonerando os empresários de São Paulo em 11,2% do ICMS, ou seja, cerca de R$ 15 bilhões. É contra esta desoneração, que tira recursos da educação e da saúde pública, que nós precisamos que os reitores deixem de ser correia de transmissão dos governadores e passem a defender a universidade pública junto conosco”, explicou.