As greves e mobilizações organizadas pelo Fórum das Seis impactam positivamente os salários dos servidores das universidades estaduais paulistas (Unesp, Unicamp e USP), como pode ser visto quantitativamente no gráfico. Os valores absolutos mostrados são referentes ao salário bruto inicial de professor doutor, mas as porcentagens de ganho das mobilizações são as mesmas para as três universidades, tanto para professores quanto para funcionários técnico-administrativos, mesmo para os servidores da Unesp que ainda não receberam os 3% de reajuste de 2016. Os dados referem-se ao período de janeiro de 2000 a junho de 2016.

Se os trabalhadores tivessem simplesmente aceitado as propostas iniciais do Cruesp, o salário inicial de doutor seria hoje R$ 7.260. Como houve negociações e mobilizações, esse salário é 47% maior, ou seja, R$ 10.675. Se a referência usada for o salário recebido, esta porcentagem é 32%. Dito de outro jeito, sem mobilização o salário seria aproximadamente 2/3 do que é hoje.

  Proposta inicial % Reajuste Conquistado %
2000 greve 0

24,52

7,0 abril/00
3,97 maio/00
6,70 outubro/00
4,90 janeiro/01
2002 6,43 8,00 8 maio/02
2004 greve 0 4,18 2 maio/04
2,14 agosto/04
2005 0 2,76 2,76 janeiro/05
2006 0 1,79 1,79 outubro/06
2007 greve 0 1,5 1,5 novembro/07
2014 greve 0 5,20 2,57 setembro/14
2,57 dezembro/14

A faixa amarela do gráfico refere-se aos valores acumulados no período para um professor doutor, que são de aproximadamente R$ 347 mil em valores absolutos ou R$ 541 mil se corrigidos pelo índice ICV do Dieese. Este acumulado refere-se aos professores que já estavam trabalhando em 2000, mas é apenas uma referência de limite mínimo, pois no período de 16 anos já receberiam mais 3 quinquênios, sobre os quais incidiriam também os reajustes maiores devido às mobilizações. Se o docente teve outras promoções, o valor seria ainda maior.

A diferença acumulada no período para quaisquer servidores, tanto docentes quanto técnico-administrativos pode ser estimada da seguinte forma: a cada R$ 1.000 do salário-base recebido hoje, este acumulado seria aproximadamente de R$ 34 mil ou R$ 53 mil corrigidos pelo ICV do Dieese.

Os ganhos das mobilizações também podem ser conferidos na tabela, que mostra os índices de reajustes conquistados ao lado das propostas iniciais do Cruesp, quando o que se conquistou foi maior que a proposta inicial. No período de 2000 até hoje, houve greve nas universidades estaduais paulistas durante as campanhas salariais dos seguintes anos: 2000, 2003, 2004, 2005 (no segundo semestre por conta da LDO), 2007, 2009, 2010, 2013 (somente na Unesp), 2014 e 2016. Como é possível perceber, em 2002, 2005 e 2006, não houve greve salarial, apenas a possibilidade de realização de greve foi suficiente para que as negociações do Fórum da Seis com o Cruesp ensejassem reajustes salariais maiores que a proposta inicial das reitorias.

A fonte de dados são os boletins do Fórum das Seis.

Informativo nº 428 - Reeditado para o Informativo nº 435