A diretora da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e presidente do Conselho Deliberativo do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais de Bauru (HRAC, chamado de "Centrinho"), Maria Aparecida Machado, a Cidinha, vem recuando da posição que sustentou abertamente na reunião do Conselho Universitário (Co) de 26/8, de apoiar decididamente a proposta da Reitoria de desvinculação do hospital.

A posição manifestada por Cidinha naquela reunião do Co foi relatada por outros participantes da reunião, como o vice-diretor do Instituto de Física, Marcos Martins. Ele declarou ao Informativo Adusp que decidiu votar favoravelmente à desvinculação após ouvir o relato da diretora da FOB, porque ela garantiu que toda a comunidade local seria favorável ao projeto do reitor M.A. Zago.

Apesar disso, em conversa com funcionários do HRAC, em 19/9, gravada em áudio, Cidinha declarou: "Em nenhum momento eu coloquei que concordava com transferir o Centrinho". Na véspera, a diretora da FOB foi vaiada durante reunião com todos os funcionários do Centrinho, que ela mesma convocou. A aparente mudança de posição pode estar relacionada, também, à audiência pública realizada na Câmara Municipal de Bauru em 16/9, que mostrou forte repúdio à proposta da Reitoria.

Apesar de seu novo discurso sobre o assunto, Cidinha recusou-se a aceitar o convite de Joana Scarcela, diretora do Sintusp, para que assinasse a "Carta Aberta de Funcionários do HRAC manifestando-se desfavoráveis à sua desvinculação da Universidade de São Paulo", dando como explicação uma série de declarações contraditórias: "Primeiro, quero dizer que eu concordo plenamente com os termos dessa carta. E eu, como membro [sic], estarei intercedendo a favor do Centrinho, junto às autoridades, quer seja da universidade ou fora dela, membro participante e responsável por isso, não vou assinar [a carta]".

Por que?, indagou ela retoricamente. "Porque eu estarei defendendo estes preceitos junto às autoridades, ou seja, a nível [sic] estadual, federal ou seja quem for. Municipal, o que for. Como eu tenho feito: tenho declarado, em todas as minhas falas, em todos os meios de comunicação [em] que eu falei, em nenhum momento eu coloquei que concordava com transferir o Centrinho".

"Assédio moral"

Ainda segundo disse a diretora da FOB nessa conversa (gravada com a anuência dela e dos demais participantes), não se trata de desvinculação, mas de "buscar um caminho para que o Centrinho seja viável dentro do que ele foi e é até hoje, que é excelência no ensino de pós-graduação", manter a pesquisa, "que norteia muitos protocolos", e igualmente o atendimento "de portadores de fissuras labiopalatais, num primeiro momento, depois os deficientes auditivos". Enfatizou que há necessidade de inserir o ensino de graduação, "que não tem" (ao final da conversa, citou a possibilidade de criar um curso de Odontologia Hospitalar).

Cidinha sugeriu que há risco de demissões no hospital, dando a entender que esse foi um dos motes de sua intervenção no Co: "Não havendo aporte de recurso para o hospital, que vai acontecer? Inevitavelmente as demandas irão diminuir, e obviamente isso vai impactar onde? Não vai precisar da mesma quantidade de trabalhadores. E é isso que a gente quer evitar. Isso é uma gestão responsável".

Questionada sobre por qual razão negava-se a assinar a Carta, ela respondeu: "Porque estarei lá na mesa de negociações defendendo essa carta. Não tem por que eu assinar uma coisa que eu estarei lá falando". Acrescentou que o governador se disse disposto a "dar aporte financeiro para que essa solução seja alcançada" e que, "como estou fazendo parte da comissão que irá negociar diretamente com ele, provavelmente, estarei defendendo sim que o hospital se mantenha na excelência, na pesquisa, dentro da Universidade de São Paulo". Insistiu: "Não me sinto constrangida por não assinar".

A diretora da FOB defendeu uma "agenda positiva" para o HRAC, pois "simplesmente ficar na USP não é solução, só; temos que ficar na USP bem, com perspectivas de melhora, de crescimento". Pediu sugestões de melhorias aos funcionários: "sejam proativos".

Queixou-se de que foi vítima de "assédio moral" na reunião de 18/9: "Ontem eu me senti, sinceramente, assediada moralmente, porque fui vaiada, como autoridade máxima do hospital, e me senti constrangida. Mas independente[mente] disso meu papel é de liderança, e liderança positiva, não negativa".

A propósito da "agenda proativa", a diretora do Sintusp comentou: "Uma posição do sindicato que é muito clara: não somos a favor de organização social, não somos a favor de fundações". "Nem eu", respondeu Cidinha. Confira a gravação completa:

 

 

 

 

 

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