O Comando de Greve dos funcionários técnico-administrativos da USP de Ribeirão Preto pediu ao Conselho Gestor, em documento protocolado na Prefeitura do Campus (PUSP-RP) em 24/9, a "imediata substituição do prefeito e seu vice". Trata-se de uma decisão da assembleia dos funcionários do campus de Ribeirão Preto, realizada em 18/9/14.
 
O documento assinala que na PUSP-RP os cortes de ponto tiveram "requintes de crueldade". Afirma que, enquanto diversos diretores de unidades de ensino desse campus preferiram negociar com os funcionários em greve, na PUSP-RP não houve diálogo: ao contrário, ocorreu "enorme pressão para que as chefias identificassem os grevistas", além do que "a Polícia foi chamada e a justiça acionada".
 
Ainda segundo o texto, a relação entre a PUSP-RP e a categoria é historicamente marcada por uma série de desencontros. "Prefeito e vice interferiram negativamente na formulação da carreira", fato do qual teria resultado "a promoção de todos que os cercam e pior, a avaliação como 'exemplar' de um funcionário que desde 2012 é investigado por furto de recursos da PUSP-RP".
 
O Comando de Greve cita ainda "episódios tristes e autoritários como a destituição da Comissão de Meio Ambiente e a omissão no debate sobre governança, transformando os trabalhadores da USP em cidadãos de segunda categoria". Por todos os motivos elencados, pede a saída do prefeito, professor Osvaldo Bezzon, e do vice-prefeito, professor Wagner Avelar.
 

Tudo "sob sigilo"

 
Questionado pelo Informativo Adusp quanto à reivindicação dos funcionários de sua imediata substituição, Bezzon limitou-se a declarar: "Esse é um processo típico do momento pelo qual passa a Universidade".
 
Quanto à denúncia feita pelo Sindicato dos Trabalhadores (Sintusp) (e mencionada na carta enviada ao Conselho Gestor) de que em 2013 concedeu nota máxima ao então chefe da Divisão Financeira, Paulo César Britisqui, no processo de avaliação para promoção na carreira, embora as atividades desse funcionário já estivessem sob averiguação, Bezzon alegou ao Informativo Adusp que o processo de avaliação "foi encerrado antes da conclusão da auditoria e àquela época a Administração não possuía os elementos que foram suscitados no relatório da auditoria".
 
O prefeito do campus também foi indagado quanto às providências eventualmente tomadas pela PUSP-RP em razão da auditoria realizada nos pagamentos relacionados ao contrato 30/2012, firmado com Starling & Estevão Comércio de Plantas Ltda no valor de R$ 880 mil. A empresa recebeu R$ 1,278 milhão, graças a pagamentos duplicados realizados por Britisqui. "A auditoria resultou na sugestão de instauração de sindicância e processos administrativos disciplinares que estão em andamento, sob sigilo", disse Bezzon.
 
Ele não informou sequer se o aditamento desse contrato, firmado em 10/6/2013 no valor de R$ 847 mil, foi mantido ou anulado: "Estas informações constam dos referidos processos para apuração de responsabilidade. Tais processos, conforme referido, ainda estão em andamento, sob sigilo".