Como parte do enfrentamento da luta pela democratização da USP - que está relacionada com a disputa histórica entre diferentes projetos de universidade - os docentes construíram o "Programa Mínimo da Adusp para a USP", apresentado a seguir, que foi aprovado por unanimidade na sessão da Assembleia Geral permanente da Adusp de 7/11/2013, e será encaminhado à Reitoria, aos membros do Conselho Universitário, à chapas concorrentes a reitor e vice-reitor(a) e à imprensa.

Programa Mínimo da Adusp para a USP

I. Concepção e financiamento da universidade

  • defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade socialmente referenciada, que se constitua como dever do Estado, não podendo ser considerada serviço ou mercadoria;
  • ampliação da dotação orçamentária das universidades estaduais paulistas e do Centro Paula Souza;
  • aperfeiçoamento da vinculação orçamentaria legal (Lei Complementar que estabeleça percentual da arrecadação de impostos do Estado, incluídas as receitas advindas das transferências federais e de toda forma de compensação por perda da receita do governo estadual, bem como da dívida ativa);
  • extinção das parcerias entre entidades privadas e a universidade pública que apresentem conflitos de interesse e irregularidades administrativas;
  • fim da cobrança de quaisquer cursos da USP;
  • compromisso com a expansão do ensino superior público presencial no Estado de São Paulo;
  • defesa da responsabilidade do Estado para com a Educação Básica de qualidade;
  • discussão ampla sobre a inserção dos campi da USP nas cidades onde estão localizados, que contemple questões relacionadas com o acesso da população aos espaços da universidade e à mobilidade para chegar-se a eles, priorizando o transporte público;
  • extinção do convênio com a Polícia Militar e construção de um debate amplo com todo o corpo da universidade para produzir e implementar um plano de segurança e vivência na USP.

II. Democratização da universidade

  • agenda de democratização efetiva da estrutura de poder da USP ao longo do ano de 2014, que inclua a convocação de uma Estatuinte exclusiva; 
  • eleições diretas para cargos executivos;
  • valorização dos Departamentos e instâncias correlatas no que concerne às políticas de natureza acadêmica, científica e de avaliação do trabalho docente;
  • estabelecimento de mecanismos democráticos para eventuais afastamentos de chefes de Departamentos, diretores de Unidades, pró-reitores e reitor;
  • estabelecimento de uma perspectiva de descentralização das decisões administrativas, orçamentárias e acadêmicas;
  • democratização da elaboração do orçamento da USP;
  • transparência na execução orçamentária;
  • criação de um Conselho Fiscal, que viabilize com agilidade a fiscalização do destino dos recursos na USP;
  • devida compatibilização das normas da USP com o ordenamento constitucional e infraconstitucional vigente;
  • encaminhamento das propostas de políticas afirmativas que efetivamente respondam às dívidas sociais históricas;
  • instituição de um Conselho Social permanente, que cumpra o papel de interlocução com a sociedade.

III. Condições de trabalho acadêmico

  • avaliação qualitativa e global do trabalho docente, no âmbito das unidades, que contemple a análise de seus diversos aspectos: ensino, pesquisa, extensão e engajamento institucional;
  • rediscussão ampla da estrutura da carreira docente, com as seguintes possibilidades de detalhamento:

a) fim da centralização da avaliação externa às unidades;
b) cancelamento da mudança que introduziu os níveis horizontais;
c) reavaliação do nível em que a carreira deve se iniciar (MS1, MS2 ou MS3);

  • criação de mecanismos internos à universidade para financiamento da pesquisa, não vinculados aos das agências de fomento, que tenham caráter distributivo e cujo julgamento seja feito com base em critérios próprios;
  • financiamento adequado da permanência estudantil, que contemple toda a demanda qualificada, visando à diminuição da evasão e do tempo de conclusão dos cursos, incluindo a elaboração de um programa para moradia estudantil;
  • extinção do processo de terceirização;
  • fim dos contratos precários;
  • reposição e ampliação do corpo de docentes e funcionários técnico-administrativos, visando a qualidade das atividades de ensino, pesquisa, extensão e do engajamento insti­tu­cio­nal; 
  • enfrentamento das questões relativas ao atendimento de saúde.

IV. Relação com movimentos e entidades

  • reconhecimento e interlocução com entidades e movimentos da USP.
 
 
São Paulo, 7 de novembro de 2013
Assembleia Geral da ADUSP
 
 
 

Privatização / Conflito de interesses / Fundações

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  • Curso de Biotecnologia para quem?

    Foto: Imprensa EACH Em 5/9/2017, data dedicada ao maior patrimônio natural do planeta, a Amazônia, houve o lançamento do curso de Biotecnologia da USP. Sediado na Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), a USP Leste, a partir de 2018, o curso foi aprovado em meio a várias crises, entre elas a dita financeira (mas que sabidamente é de financiamento), que impediu, por exemplo, que o corpo docente e funcional tivesse aumento salarial em 2017.
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    Grupo sugere à direção da unidade “imediata deflagração de processo administrativo disciplinar” contra o autor das “graves irregularidades” A Comissão Sindicante instaurada pela Portaria 22/2017 da Diretoria da Escola de Educação Física e Esportes (EEFE) para apurar assédio moral na unidade concluiu “haver indicativos de que o servidor docente Prof. Dr. Antonio Herbert Lancha Jr. adotou condutas irregulares”, “razão por que sugerimos a imediata deflagração de processo administrativo disciplinar [PAD], com o objetivo de garantir ao referido servidor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa (art. 5o, LV, CF/88)”.

A pedido do reitor, tropa de choque da PM agride manifestantes

Ato de repúdio à violência institucional e policial na USP

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Discussão sobre a aposentadoria dos docentes - parte 2/2