Democratizar a indicação de reitor!
É longa a luta de docentes, estudantes e funcionários pela democratização da estrutura e do exercício do poder na USP, uma das mais retrógradas universidades do Brasil, na qual ainda vigoram Estatuto e Regimento que guardam fortes resquícios do período da Ditadura Militar. Se não, vejamos: os diretores de unidade, quase sempre professores titulares, são nomeados pelo reitor a partir de uma lista tríplice; os professores titulares são maioria absoluta nas congregações, e os representantes destas no Conselho Universitário (Co) em sua grande maioria são também titulares; as representações das categorias docentes e de estudantes e funcionários técnico-administrativos, somadas, estão reduzidas a menos de 20% do total de membros do Co (a dos últimos, inferior a 1%!).
Novo currículo das escolas de tempo integral de São Paulo exclui ciências, história e geografia
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo anunciou, no Diário Oficial de 19/1, uma grande mudança no currículo das escolas estaduais que migraram para o sistema de ensino em tempo integral. A reformulação implica que 297 instituições não mais ofereçam aulas que incluam conteúdos de ciências, geografia e história nos três primeiros anos do ensino fundamental.
A prioridade absoluta passa a ser o ensino da gramática e matemática. No 1º e 2º anos, os estudantes terão 15 aulas de língua portuguesa por semana, o que equivale a 60% da carga horária do período. Serão seis aulas de matemática (25% da carga horária semanal), e quatro aulas de educação física e artes. No 3º ano, a carga horária de matemática aumenta para 40% e a de língua portuguesa cai para 35%.
“Um golpe escandaloso”
Fórum Aberto denuncia, em nota, decisão autoritária da Reitoria de impor Comissão da Verdade unilateral e destituída de autonomia
Há mais de um ano, reagindo a um diagnóstico de que a Universidade de São Paulo precisava, urgentemente, iniciar um processo de democratização interna, as entidades representativas da USP, os movimentos organizados, centros acadêmicos e indivíduos interessados fundaram o Fórum Aberto pela Democratização da USP. Como primeira ação, decidiram realizar uma ampla mobilização pela criação de uma Comissão da Verdade da Universidade. O diagnóstico naquele momento era que a USP, por desconhecer o seu passado autoritário, incorria em erros parecidos e resistia a processos mais radicais de democratização. Prova disso é que, apesar de ter sido palco privilegiado de perseguições e violações de direitos humanos, a maior universidade do país permanecia alheia ao esforço nacional por efetivar o direito à memória, verdade e justiça.
Descaso, autoritarismo, desrespeito. Reitoria ignora negociação e cria “CV-Rodas”
“Veio uma comissão construída de cima para baixo e sem ouvir ninguém. Nosso trabalho de quatro meses de negociação, em princípio, foi todo jogado fora”. Assim o professor Helder Garmes, representante da Adusp, manifestou-se sobre a reunião de 7/5 em que a Reitoria anunciou sua decisão de criar unilateralmente a Comissão da Verdade (CV), com sete membros, nomeada pelo reitor sem participação da comunidade. Desse modo, foi atropelada a proposta do Fórum Aberto pela Democratização, que inicialmente a Reitoria aceitara como passível de tramitação no Conselho Universitário (Co), e que consistia de uma comissão de 15 membros titulares, 12 dos quais indicados pelas quatro entidades representativas (Adusp, Sintusp, DCE e APG) e três indicados pela Reitoria.
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